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Douglas H. M. FulberRead in English

O que a cultura cyberpunk ensina sobre segurança digital na Web3?

Hackers podem defender a liberdade digital ou causar danos enormes. Veja o que Anonymous, Lizard Squad e a ficção cyberpunk ensinam sobre proteger dados.

A resposta curta

A cultura cyberpunk mostra que a mesma habilidade técnica pode servir à liberdade digital ou ao crime, e que a segurança no ciberespaço é uma corrida contínua, não um estado que se alcança uma vez. Na Web3, em que cada pessoa guarda as próprias chaves e dados, proteger informações passa a ser responsabilidade de todos: governos, empresas e indivíduos.

Num mundo cada vez mais conectado, a linha entre o real e o virtual fica mais tênue a cada dia. A tecnologia permeia todos os aspectos da vida, e com isso a batalha entre cyberpunks e a segurança digital se intensifica. Será que estamos prontos para esse desafio? Neste artigo, vamos olhar para a dualidade dos cyberpunks, seus impactos na sociedade e a importância de proteger nossas informações e nossa privacidade no ciberespaço.

Entre a liberdade digital e o crime cibernético

Os cyberpunks, como chamamos aqui as pessoas que exploram e manipulam sistemas digitais, são protagonistas de inúmeras histórias e discussões. Alguns os veem como defensores da liberdade digital; outros, como criminosos. Independentemente da reputação, é inegável que exercem enorme influência no mundo digital.

O termo vem da ficção. Em 1984, William Gibson publicou Neuromancer, o romance que popularizou a palavra ciberespaço e o hacker como herói ambíguo, que invade sistemas de corporações mais poderosas que governos. Quarenta anos depois, essa imagem parece menos ficção e mais manchete.

Cena de luta em Ghost in the Shell
Ghost in the Shell, o anime que levou o imaginário de Gibson para a tela. GIF: Funimation, via GIPHY

Com a dependência crescente da tecnologia e a expansão da Internet das Coisas (IoT), a segurança digital virou uma preocupação central. Enquanto os cyberpunks, em suas várias faces, atuam nas sombras do ciberespaço, governos, empresas e pessoas estão numa corrida contínua para proteger informações e garantir privacidade.

Anonymous e Lizard Squad: os dois lados da moeda

Um exemplo de atuação cyberpunk é o grupo Anonymous, que ganhou notoriedade pela luta contra a censura e a corrupção. Uma de suas primeiras grandes ações foi o Projeto Chanology, em 2008, contra a Igreja da Cientologia, depois que a igreja tentou tirar da internet um vídeo vazado com Tom Cruise. O grupo mostrou como a tecnologia pode ser usada em nome de uma causa pública.

Do outro lado, grupos como o Lizard Squad causaram danos consideráveis com ataques de negação de serviço (DDoS) contra grandes empresas. O caso mais conhecido foi no Natal de 2014, quando as redes online do Xbox e do PlayStation ficaram fora do ar para milhões de jogadores. O episódio deixou clara a urgência de fortalecer nossos sistemas de segurança.

Uma linha do tempo resumida ajuda a ver o movimento: Neuromancer em 1984 dá nome ao imaginário; o Anonymous sai dos fóruns para as ruas em 2008; o Stuxnet, revelado em 2010, mostra que um código pode sabotar uma usina física, como descreve Kim Zetter em Countdown to Zero Day; e os ataques do Lizard Squad em 2014 mostram como um grupo pequeno pode derrubar serviços usados por milhões.

O documentário que conta a história do Anonymous

O documentário We Are Legion: The Story of the Hacktivists (2012), dirigido por Brian Knappenberger, retrata a história e as atividades do Anonymous, desde o surgimento no fórum 4chan até as principais ações e protestos. É uma fonte valiosa para entender a atuação dos hacktivistas e a luta pela liberdade digital.

Mais sobre o filme: We Are Legion na Wikipedia.

Por que isso importa na Web3

A ascensão da cultura cyberpunk e a corrida pela segurança digital refletem um mundo em mudança constante. Enquanto os cyberpunks desafiam estruturas de poder e expõem falhas, a sociedade precisa se adaptar. Na Web3 isso fica ainda mais concreto: quem guarda a própria carteira guarda também o próprio risco. Uma chave privada vazada não tem gerente de banco para estornar.

Por isso, segurança deixa de ser um assunto só do time de TI. Conhecer o básico de autenticação, backup de chaves, golpes de engenharia social e permissões de contratos inteligentes é tão importante quanto saber trancar a porta de casa.

Perguntas frequentes

Todo hacker é criminoso? Não. O termo cobre de pesquisadores de segurança e ativistas a grupos que atacam por dinheiro ou diversão. O que define é o uso.

O que foi o ataque do Lizard Squad? Um ataque DDoS no Natal de 2014 que derrubou as redes online do Xbox e do PlayStation.

Vamos vencer a batalha?

A batalha entre cyberpunks e a segurança digital vai continuar a moldar nosso futuro. Com exemplos de como a tecnologia pode servir ao bem comum, somos desafiados a refletir sobre as possibilidades que ela oferece e a nos adaptar para que a sociedade permaneça protegida no ciberespaço. E você, já está do lado de quem protege os próprios dados?

Douglas Henrique, DOUVRAS Labs. Publicado originalmente no LinkedIn em 11 de abril de 2023.

Referências

Coleman, G. Hacker, Hoaxer, Whistleblower, Spy: The Many Faces of Anonymous. Verso, 2014. ISBN 9781781685839. Open Library.

Doctorow, C.; Stross, C. The Rapture of the Nerds. Tor Books, 2012. ISBN 9780765329103. Open Library.

Sterling, B. The Hacker Crackdown: Law and Disorder on the Electronic Frontier. Bantam, 1992. Project Gutenberg.

Zetter, K. Countdown to Zero Day: Stuxnet and the Launch of the World's First Digital Weapon. Crown, 2014. ISBN 9780770436179. Open Library.

Sanger, D. E. The Perfect Weapon: War, Sabotage, and Fear in the Cyber Age. Crown, 2018. ISBN 9780451497895. Open Library.

Gibson, W. Neuromancer. Ace Books, 1984. Wikipedia.

Knappenberger, B. We Are Legion: The Story of the Hacktivists. Luminant Media, 2012. Wikipedia.

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